fix me

February 26, 2007

As estrelas nascem. No meio das nuvens, até entre opressoras linhas negras. Entre nós. Desfazem palavras, traumas, sentimentos outros. Resgatam-me enquanto eu escapo.

No ar modorrento, condicionado, preso, sonho que as alcanço. E quando as imagino, é o inalcançável que eu busco. Algo que me arrebate, que me costure novamente, que me devolva ao centro. A mim.

Expira a avenida. E tento guardar as luzes na retina, capturá-las num instante eterno. Porque elas me silenciam e camuflam a corrente de vozes que me confundem. Inspiram-me. E assim eu respiro…

“Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you”

catch me

February 22, 2007

Adoço em excesso o café preto que me acorda. Foi mamãe quem disse que o açúcar tira o amargo da manhã. Ela, que sempre foi um manto de silêncio, um par de olhos cerrados orando pras estrelas. Enquanto meu pai ensinava as horas, ela me fazia decorar um par de rezas. Era assim que ela me protegia do mundo…

O mundo…

Primeiro veio uma grande explosão. E então, fizeram-se nuvens. Uma grande neve branca tomou conta de tudo e era só neblina e cegueira. Como um grande quadro vazio, esperando para ser preenchido. Não fui capaz de suportar o silêncio e a falta de linhas e de cores. Quis dormir… Escondi-me por entre os dedos que tapavam meus covardes olhos, minhas órfãs mãos.

Vi-me pequena e frágil. Menor que a gota no oceano, e diferente de todas elas. Indivisível.

over the bridge

February 15, 2007

Você é silêncio. É noite de estrelas, antena desligada. Tudo fora do ar. É mar de ondas calmas que deságua na areia e deixa tudo mais límpido, mais sereno. Uma voz que conforta, um ouvido que compreende, um olhar que comove. Mas você também é barulho. Uma gargalhada que corre pelo ar, uma música que eu gosto de escutar.

Eu rascunho, você projeta uma casa inteira.
Meu irmão, meu exemplo. Meu norte.