Comovo-me com teus versos roubados. Com as notas dissonantes, as súplicas e as promessas no plural. Pássaros tentando pousar num abismo profundo. Uma gota d’água que ecoa no mar, mas não retorna. Na trilha-sonora que preenche o vazio entre as paredes, desenho os contornos dos seus gestos. E apago.

A tua letra infantil. Os teus discos. O jeito que a chuva cai.
E sinto pena de olhar teus olhos. E o meu cotidiano.

Is there life on Mars?

cold water

March 18, 2007

“Opostos que se atraem, dispostos que se distraem…” Será que existe uma fórmula perfeita pra todo mundo? Eu não sou uma equação a ser solucionada, mesmo que uma incógnita. Eu não tenho as respostas pra nenhuma soma.

Eu não tenho memória. Esqueço aniversários. Deixo palavras ficarem na gaveta, aguardando uns sorrisos. Eu perco datas, desaprendo nomes, não tenho senso de direção. Não rego as plantas.

Eu só peço desculpas…

day dreamer

March 8, 2007

Pois há que desafiar o abismo, mergulhar na dor que reside em viver visceralmente. Há que sentir a ausência do estômago, a falta de chão, sentir-se ar, voar. Há que viver poeticamente, com as borboletas se debatendo na gaiola de noss’alma. Ir de encontro ao desconhecido. Alcançar o poente do céu. Há que tomar a pena e escrever a própria história, mesmo que da tinta saiam cores de branco-lágrima. Mesmo que a folha despedace, que as linhas se extingam, que a luz apague. Há que tomar parte no espetáculo, em todo o seu drama. Pois isso são apenas máscaras. E apenas um riso e uma dor são coisas poucas, quase nada. É preciso um carnaval de gestos para haver presente.

Há que ter coragem.