letters to you

May 30, 2007

Vou guardar cada instante de sorriso. Ao lado das nossas fotos, das suas cartas, da minha saudade, guardarei cada centímetro de abraço. Vou costurar na minha memória o seu jeito de rir estrelas, de enxergar horizontes, de cheirar flores.

Vou lembrar de você quando o sol brilhar enorme, quando ouvir as nossas músicas, as suas palavras subentendidas. Vou ouvir sua voz quando eu estiver caminhando sozinha no meio da tarde e antes de dormir, quando eu estiver fazendo pedidos sob um céu escuro.

Vou lembrar de você, mesmo que você se esqueça de mim.
Me escreve…

bottom shelf

May 19, 2007

Paredes e mais colunas e muros intransponíveis entre universos de pessoas. Luzes brancas e ares congelantes e cheiro de flores murchas. Mundo corporativo. Tudo devidamente anotado e documentado.
Reclamações e mais pedidos e listas intermináveis com coisas a fazer. Horas e dias de sol perdidos e noites brilhantes guardadas. Calendários rasgados. A ausência que eu sinto às segundas-feiras.
Rascunhos e mais papéis e pastas cheias de burocracia. Recados e mais lembretes e telefones que eu faço questão de esquecer. Tudo enclausurado. Abandonado em uma caixa no corredor gelado.

Mas conversas e conselhos e lições pra vida toda. Lágrimas de alegria e de tristeza e de saudade. Pessoas alegres e tristes e marcantes, como raios de sol. Lembranças como nuvens de algodão.
Desejos e vontades e sonhos que se desenham diariamente. Passagens e despedidas e encontros que fazem valer a pena. Luta. Saudade que me dói a pele e aperta meu peito.

A certeza de que foi único e que não volta e que já é passado.
Guardado em uma caixa…

not too late

May 4, 2007

Segunda-feira cheia de sono, “bom-dia” curto e café amargo. Sempre noto que você é uma das poucas pessoas que chegam sorrindo. Deve ser por isso que a vida também te sorri. Conversas sobre os filmes do fim-de-semana, praia, cinema, cidade e jardim. Eu sempre urbana e você essa coisa wannabe-hippie. Eu, cinza-concreto e você verde-céu-azul…

Eu vivo demais dentro do meu próprio mundo, ouço meu som no fone de ouvido solitário, cubro-me de ansiedades juvenis. Você é um porto-seguro, que canta desafinado e sem-vergonha, que ri um riso alto e contagiante. Eu escrevo pelos cotovelos e você sempre sabe o que dizer. Você brinca que eu sou estranha, eu falo sério.

A gente é muito oposto e assim, eu aprendo.
Eu chovo e você faz sol.
E espero que você continue brilhando…

Perdi minhas canetas. Todas elas. Azuis, pretas, vermelhas. E os meus lápis também. Todos quebrados, desapontados. Escondidos n’algum rascunho. Encerrados numa gaveta cheia de poeira, silenciados por tempo indeterminado. Partiram todos.

Onde estão minhas canetas? Minha tinta, meu motor. Onde estão todos?
Perderam-se.