heart shaped box

January 28, 2008

Você me oferece corações e estrelas, brilhantes, coloridos. Mas o céu se esconde atrás de um oceano de nuvens e tudo vira branco. Eu bebo café e a minha dor de cabeça não passa. Sinto sono. São duas e meia ainda e você não acordou.

Esqueço desperta dor…

E as suas mãos… as suas mãos não param. Inquietam-se, perdem-se enquanto você rói suas unhas ou esfrega seus dedos uns contra os outros, como se quisesse ará-los. Você vomita palavras e cobre com terra as minhas.

Procuro amortece dor…

O mundo parou de andar pra trás. O rádio cansou de tocar o mesmo som, seu retrovisor quebrou, suas plantar murcharam. Você esqueceu de regar. Você esqueceu de acordar…

23

January 23, 2008

Não farei promessas. Deixá-las-ei subentendidas, expostas em largas superfícies. Imigrantes sem nome. Esperarei que elas se colem a mim, até que se tornem muro, grade e teto. E se fugirem, serei janela. Transparente, visível e alva. Não temerei mais. Porque se há pedras, ergo. Se há desvios, cogito. Sou. E isso não me perturba mais. Rabisco à lápis, mas não apago, é belo assim. Nesta interminável folha, escrevo infindáveis finais. É nas tortas linhas que me vejo. Encontro ondas que me afogam, culpam-me, mas submerjo sempre. Pois há velas que caminham sem vento e passos que não carecem chão. E eu não rezarei por mapas. Buscarei cada instante vão ou completo, cada gesto de mundo, cada poeira de alegria. Minha consciência prematura entusiasma-se. Enche-se. Minha rouquidão desperta e entoa uma ode de amor, de otimismo, de ar fresco. Quero embalar o mundo em meus braços. Quero esconder-me em céu aberto e encaracolar-me em altas árvores. Quero eternamente uma luz que cegue, uma dança que inebrie, um poema que emocione. Praticarei diariamente. Derrubarei esqueletos e costurarei pequenos castelos. Moraremos juntos, correremos na praia, choraremos de alegria e seremos felizes. Salvaremos-nos. Serei terceira pessoa do plural. Não haverá mais noites de domingo. E seremos sempre raio de sol. Sempre horizonte, pássaro, brisa. Sempre dia.

the name of the rose

January 12, 2008

Eu tinha medo porque ela não tinha. E olhava reto, porque ela me espelhava. Sentia pena de suas vestes rotas, masculinas, abandonadas sobre sua pele. O seu rosto não trazia mais razão. O seu corpo perdera o pudor.

Foi num dia de muito sol que ela apareceu naquela praça, já apinhada de outros moradores. Somara-se à velha sem dentes e muitas malas, ao elegante louco que passava o dia lendo pesados livros, a outra meia dúzia de mendigos envolventos em mal cheirosos cobertores e aos tantos pombos que ali iam e vinham.

Eu não conseguia imaginar em um nome que lhe desse forma, ou um sobrenome que a explicasse. Inquietava-me seus olhares brancos, os pulsos que levava colados um ao outro, as roupas que mudavam diariamente, mas sempre tão largas, superlativas. Não cantava, não murmurava. Apenas ali ficava. O dia completo sentada no segundo banco da praça, como se dele fizesse parte.

Olho da minha janela e quase posso vê-la. A pele reluzente, os cabelos ávidos por céu, sua impavidez perante a grama, os transeuntes, o mundo. Imagino-a rosa. E não adivinho seu nome…

back to black II

January 10, 2008

“We only said goodbye with words
I died a hundred times…”

He’s gone, she said. So I won’t drop him a line.

Mum started to stay at home all day. Going dark, going strange. She died her hair once and dried her cry everyday. I wanted a garden, she gave me a TV. She was dreaming with castles, I’d built a wall up. She was fond of soap operas and God. She was fond of tears…

I needed a shelter for my childhood. A whale came accross. I set sail for the moon. It was a cold, freezing night. I thought I wouldn’t get by without an umbrella.

The day cleared up. Soon it’ll bright up… It’s time to gather around.

say you miss me

January 3, 2008

We’re going out for a drink tonight. We’re having fun, aren’t we? We like to send up ourselves and laugh our head off through draught-proofing aisles at supermarkets and at Turkish shops. We just love to wander around when is chilly and we can lay down on the park and on the stars.

I still miss your inappropriate laugh while we’re having a row about unimportant things. I still remember you doodling while I was banging on about my neuroses. You knew how to dry them up.

I’ll take down your address, your telephone number. I’ll draw your eyes, I’ll put my mind to remember the way you smile.

I’ll drop in on your place sometime…
Hope we’ll keep in touch… Cheers mate!