true love waits

March 13, 2008

Passei a considerar a minha incapacidade em sentir cheiros como uma deficiência;
Sinto-me aleijada por agora;
Como se todos possuíssem algo que não compartilho, como se rissem;
Vejo as cores das flores em minha mesa e elas sobrevivem incompletas à minha volta;
Sorriem verdes, amarelas, vermelhas e sem cheiro;
Murcham, esticam;
Inodoras.

hemorragia

March 2, 2008

Escrevo em pontas de sapato, giz e asfalto. Esfomeada. Traço, escuro, ponto. Aspiro fumaça que rejeito. Rasga meu peito, esquerdo, direito. Coisas que não entendo. Como costas, laços, braços sem abraços. Encaro gestos, furo pratos, rasos. Apago-me ao quadrado, só porque no fundo não vejo. Rói meu cabelo, espanta meu afago. Cobre-me de espelhos. Esquizofrênica. Seqüestra-me. Encosta-me num canto mudo, com cores inomináveis. Como são plácidos seus gostos, enlevo. Do suor terroso que se espalha, tenho asco. Como o cheiro do seu centro, torpor imediato, Verborragia aristocrática. Intelectual mesquinha Sonâmbula moralista. Calada. Queda-me. Branda-me. Basta. Basta. Bastarda.