renouncement
July 31, 2008
Reconheço e renuncio. Ficamos incompatíveis. Olho, vejo e não enxergo os elos e mesmo os nós que aqui havia. Cheiro seus olhos, limpo sua poesia, guardo seus gestos. Sinto falta de te respirar. Retraio o impulso de te escrever, dedicar sonhos, sussurrar música. Machuca a ausência daqueles dias. Quando completávamos frases, acolhidos em nosso silêncio, em nossa metade. Deixo-te porque você é oceano que cobre mundo e eu sou vento que indeciso, foge. Minto ainda. Renuncio, mas te espero. E rego sempre.
still water
July 21, 2008
Sinto frio. E é quase o tempo todo. Tenho desejo de solidão e quietude. Às vezes acho que tudo é ruído e branco, como um copo cheio transbordando de água e gelo. Estranho meu desejo por calar nuvens, soprar florestas.
Sou uma manhã de céu azul, que nasce catando estrelas. Insisto em cerrar-me em miolos de flores, seduzindo abelhas para depois me esconder. O zumbido me cansa.
Julgue-me ilha. Protejo-me. E me devoro.