zoo
September 13, 2008
Caras de cavalo me olham não percebendo. Carbonizadas em camadas lentas de fuligem e cansaço. Caras pálidas, amarelas, ocas, caiadas. Como carcomidas pela desgraça. Olhos de peixe, de sapo, de presa que não pisca. Rastejam em chãos de pedra e paralelepípedo. Rastejam dos trens, dos ônibus, das calçadas, empurram-se, chocam-se. Não se chocam. Chacoalho, sangro, não se encostam. Castram sonhos diariamente, calam-se. Quero abraçá-las. Caras, corpos, calos. Qualquer coisa que caiba em meu colo. Quero colá-las a árvores, sóis, estrelas. Ser natureza. Uma vida outra.
Sonhos…
lonesome
September 4, 2008
“Todo amor encontra sempre a solidão”
Solido pela vida enquanto não esqueço rancor. Amarga como o mar, fico. Sinto um cansaço de me ir, quero ficar em lençóis, sussurros e versos. Amordemais. Demasiadamente amorteço. Anestesio e sigo esquecendo, sonhos, muros, navios. Esqueço-nos. Estou a me emarenhar em ruídos, rosas.
Resgata-me.