Tenho vinte anos e um anos de desilusão e sombra e queimarei meus olhos antes que nasçam rugas. Antes que não reste nada, exigirei comprimidos, e Deus queira que depois exista algo. Eu não quero saber de ideais, eu não me ligo a grandes paixões. Eu sou morna, morna como uma sopa deixada de lado na mesa. Sem sal, sem lágrimas. Minha grande paixão é o meu imenso ego. Até pra falar dos outros, eu falo de mim. Eu minto. Onde o sol cansou de nascer, eu resolvi descansar a cabeça. Porque essa vida toda me deprime, porque um dia tudo acaba. Isso não deixa de ser bom. O vazio que você não entende é por causa da mão que afaga gentilmente a criança, é a mulher que conversa com o mendigo em busca de razões, é o homem que ajuda um velho sorridente a atravessar a rua. Eu queria que o tempo parasse por um instante pra que eu respirasse. Preciso lavar as mãos. Me deixa abrir os olhos. Eu preciso reclamar mais um pouco.
é o que dizes.
oi. quem é você?
Aonde está você agora?