here and there
October 7, 2008
I’m stuck in a strange time, lost in translation.
We’re getting emotional since we’re in our ancestors land.
Letters, pictures, telephone numbers. All lost.
That’s me on the ground.
lonesome
September 4, 2008
“Todo amor encontra sempre a solidão”
Solido pela vida enquanto não esqueço rancor. Amarga como o mar, fico. Sinto um cansaço de me ir, quero ficar em lençóis, sussurros e versos. Amordemais. Demasiadamente amorteço. Anestesio e sigo esquecendo, sonhos, muros, navios. Esqueço-nos. Estou a me emarenhar em ruídos, rosas.
Resgata-me.
vicodin song
August 28, 2008
“I’m feeling so bad and so good. I don’t know what to do”
Meia-luz, meia cidade que enche a janela da sala e enfeita a noite. Gosto de vinho barato na boca. Gosto de confissões que ficaram trancadas e saem empoeiradas, atropeladas. As pernas que não param no chão e a minha mão que não suporta mais meus dedos de unhas mal feitas.
Percebo que perdi muito de minha vaidade. É outras das coisas que distingo à sombra da lâmpada que você esqueceu de trocar, ao lado da música que parou de tocar. Gosto de silêncio.
Apara meu abraço e fica. Amanhã já é setembro.
“Don’t bring a thing for me. I’ll be there…”
bring it on home
August 19, 2008
Quero de volta todos os sonhos. Quero resgatar as esperanças, retornar minhas crenças, acreditar de novo. Quero tudo de volta como se não tivesse acontecido nunca. Preciso voltar ao útero. Mudar de idéia, criar novos pré-conceitos, fazer renascer vontades. Preciso conhecer o pó antes que ele se torne pedra. Tenho medo de já saber o final antes do clímax. Temo não ser a mocinha do meu filme, não decorar a minha trilha e padecer do incêndio da certeza. Tenho medo de não doer mais.
Quero de volta.
born to be lively
August 10, 2008
Não me seduzem mais as belas obras de arte, expostas em paredes. Decorando tetos, penduradas em retinas, sempre imóveis. Prefiro-as descongeladas, moldando-se ao vento e sobrevivendo ao sol. Vivas. Não gosto do gosto do amargo de uns apáticos, desagrada-me o grave do semblante de outros. Atraem-me os que cantam com cordas soltas, os que sorriem sem economia, que se jogam na vertigem. Amo-os incondicionalmente. Fico à borda, margeando sua bossa. Seguindo sua onda.
“We’re on a positive track today”
still water
July 21, 2008
Sinto frio. E é quase o tempo todo. Tenho desejo de solidão e quietude. Às vezes acho que tudo é ruído e branco, como um copo cheio transbordando de água e gelo. Estranho meu desejo por calar nuvens, soprar florestas.
Sou uma manhã de céu azul, que nasce catando estrelas. Insisto em cerrar-me em miolos de flores, seduzindo abelhas para depois me esconder. O zumbido me cansa.
Julgue-me ilha. Protejo-me. E me devoro.
numb
June 8, 2008
Num gesto seco, derramara o todo o conteúdo do copo sobre as folhas recém rascunhadas. Tanto demorara que o líquido se espalhara pela mesa, rastejara pela sua superfície até lentamente atingir o carpete.
Observara o café seguir seu percurso como quem olha paisagem. Imóvel. E fora lentamente que retirara o caderno já tingido de ocre e então as outras filas de papéis e notas pra ontem.
Já não tinha mais importância.
good morning
May 12, 2008
Não permitia que caminhássemos de meias no palco, pois era lugar sagrado. Os nossos dedos que congelassem, as solas que endurecessem, a pele que secasse. Caminharíamos descalços no escuro.
Com o sol no peito e a luz em sombra.
Emocione-se e emocione. Divirta-se e divirta. E se errar, faça com convicção.
Preencha o palco, fixe o olhar, mantenha a base. Olhe e feche os olhos. Artisticamente.
Escute a música e o silêncio dela. Escute-se.
Atravesse a quarta parede.
Artisticamente.
o mar e o ar
May 10, 2008
três meses.
e vaso de pimentas morto
enterrando o que não cresce
dores de cabeça passeando na cabeça
cafés sem açúcar e chocolates racionados
chamadas não atendidas, versos não decorados
a minha música que eu esqueço
sufoco
sprout
April 18, 2008
Dos desenhos que escondo
Dos versos que apago
Dos olhares que desvio,
Vou me desfazendo aos poucos
E é bom que você seja parte disso…
=)