aos pedaços
May 20, 2008
e deu saudade. de pensar nos seus olhos verdes.
da estranheza da sua pupila. que me encontrava nas noites insones de dias sonâmbulos.
a singularidade das suas palavras à sinceridade do seu afeto.
de como é sempre tão visceral.
cordas, veias, sangue. pulsando.
hoje acho graça como tinha medo.
dizia não gostar de romance
derretia-se porém
enquanto eu deixava escorrer…
back to black II
January 10, 2008
“We only said goodbye with words
I died a hundred times…”
He’s gone, she said. So I won’t drop him a line.
Mum started to stay at home all day. Going dark, going strange. She died her hair once and dried her cry everyday. I wanted a garden, she gave me a TV. She was dreaming with castles, I’d built a wall up. She was fond of soap operas and God. She was fond of tears…
I needed a shelter for my childhood. A whale came accross. I set sail for the moon. It was a cold, freezing night. I thought I wouldn’t get by without an umbrella.
The day cleared up. Soon it’ll bright up… It’s time to gather around.
bottom shelf
May 19, 2007
Paredes e mais colunas e muros intransponíveis entre universos de pessoas. Luzes brancas e ares congelantes e cheiro de flores murchas. Mundo corporativo. Tudo devidamente anotado e documentado.
Reclamações e mais pedidos e listas intermináveis com coisas a fazer. Horas e dias de sol perdidos e noites brilhantes guardadas. Calendários rasgados. A ausência que eu sinto às segundas-feiras.
Rascunhos e mais papéis e pastas cheias de burocracia. Recados e mais lembretes e telefones que eu faço questão de esquecer. Tudo enclausurado. Abandonado em uma caixa no corredor gelado.
Mas conversas e conselhos e lições pra vida toda. Lágrimas de alegria e de tristeza e de saudade. Pessoas alegres e tristes e marcantes, como raios de sol. Lembranças como nuvens de algodão.
Desejos e vontades e sonhos que se desenham diariamente. Passagens e despedidas e encontros que fazem valer a pena. Luta. Saudade que me dói a pele e aperta meu peito.
A certeza de que foi único e que não volta e que já é passado.
Guardado em uma caixa…
in the sky with diamonds
January 10, 2007
“Dona Catarina vende flores onde trabalho. Passeia pelos corredores com um carrinho repleto de gérberas, flores do campo e orquídeas, todas embrulhadas em papéis de seda coloridos e fitas de laços enormes. Uma senhora de mais de 70 anos, filha de camponeses japoneses que abandonaram sua sagrada terra em um navio sujo e colérico. Gerou uma única vida. Já um velho, alcoólatra e solitário. Que dona Cat não me ouça, mas apenas um parasita que odeia plantas. E eu nunca confiei em pessoas que não gostam de plantas.
Semana passada, descobri por intermédio do jornal interno da empresa que seu nome verdadeiro é Tioko. Foi uma surpresa para todos. Dona Tioko circula há 30 anos por aqueles corredores e até então, nunca chegaram a perguntar o seu nome. Era apenas dona Catarina, a velhinha das flores. Aquela que unira tantos casais com suas rosas anônimas.
Vi um rapaz cumprimentando dona Tioko, e seu sorriso tímido, tão pouco utilizado abriu-se humildemente. Admirando a cena, senti um aperto forte no peito, como se aquela senhora fosse o fim de todas aquelas coisas que não vivi, e das quais sentirei saudade. Coisas cujos nomes desconheço, mas que, mesmo assim, me são tão familiares…”
Escrito em 10 de agosto de 2004
Dona Catarina faleceu no ano novo. No meio de promessas e desejos de nova vida. Em meio aos fogos de artifício que brilhavam e explodiam no ar. Logo ela, que caminhava como o céu, que tinha “sotaque de nuvens”. Que era um par de olhos calados.
Foi no meio de um sonho, lentamente, com os girassóis vigiando seus suspiros. Com os lírios tentando conter seus passos. Fugiram silenciosos, cansados. E partiram, levando pétalas, amores-imperfeitos e o aroma de todo um campo. Em seu novo jardim, talvez as flores se perfumem somente para ela…