aos pedaços

May 20, 2008

e deu saudade. de pensar nos seus olhos verdes.
da estranheza da sua pupila. que me encontrava nas noites insones de dias sonâmbulos.
a singularidade das suas palavras à sinceridade do seu afeto.

de como é sempre tão visceral.
cordas, veias, sangue. pulsando.
hoje acho graça como tinha medo.

dizia não gostar de romance
derretia-se porém
enquanto eu deixava escorrer…

good morning

May 12, 2008

Não permitia que caminhássemos de meias no palco, pois era lugar sagrado. Os nossos dedos que congelassem, as solas que endurecessem, a pele que secasse. Caminharíamos descalços no escuro.
Com o sol no peito e a luz em sombra.

Emocione-se e emocione. Divirta-se e divirta. E se errar, faça com convicção.
Preencha o palco, fixe o olhar, mantenha a base. Olhe e feche os olhos. Artisticamente.
Escute a música e o silêncio dela. Escute-se.

Atravesse a quarta parede.
Artisticamente.

o mar e o ar

May 10, 2008

três meses.

e vaso de pimentas morto
enterrando o que não cresce

dores de cabeça passeando na cabeça
cafés sem açúcar e chocolates racionados

chamadas não atendidas, versos não decorados
a minha música que eu esqueço

sufoco

sprout

April 18, 2008

Dos desenhos que escondo
Dos versos que apago
Dos olhares que desvio,

Vou me desfazendo aos poucos
E é bom que você seja parte disso…

=)

tree hugger

April 14, 2008

“The flower said, ‘I wish I was a tree,’
The tree said, “I wish I could be
A different kind of tree,
The cat wished that it was a bee,
The turtle wished that it could fly
Really high into the sky,
Over rooftops and then dive
Deep into the sea.”

I wish I could be a star in an empty sky

way of the words

April 9, 2008

“Soon, there was nothing but scraps of words littered between her legs and all around her. The words. Why did they have to exist? Without them, there wouldn’t exist any of this. (…)
What good are the words?
She said it audibly now, to the orange-lit room. ‘What good are the words?’”

(“The Book Thief”, Markus Zusak)

Prometera tantas coisa. Muitas. Como se as cartas que escrevesse nos sonhos fossem reais e não apenas costuradas com açúcar. E desistira de muitas outras. Culpava o tempo, que fazia as coisas já serem novembro. Passavam-se dias e se esquecia, mergulhava-se. Passava dias muda, sementeando desabafos. Sem saber que desabar. E não vira neve, não vira a cegueira branca cobrir a cidade. Passado já. Agora se enterrava divagando flores, jardins, parques. Todo o verde que coubesse no mundo.

As palavras a abandonaram… e sentia falta de sangrá-las.

true love waits

March 13, 2008

Passei a considerar a minha incapacidade em sentir cheiros como uma deficiência;
Sinto-me aleijada por agora;
Como se todos possuíssem algo que não compartilho, como se rissem;
Vejo as cores das flores em minha mesa e elas sobrevivem incompletas à minha volta;
Sorriem verdes, amarelas, vermelhas e sem cheiro;
Murcham, esticam;
Inodoras.

hemorragia

March 2, 2008

Escrevo em pontas de sapato, giz e asfalto. Esfomeada. Traço, escuro, ponto. Aspiro fumaça que rejeito. Rasga meu peito, esquerdo, direito. Coisas que não entendo. Como costas, laços, braços sem abraços. Encaro gestos, furo pratos, rasos. Apago-me ao quadrado, só porque no fundo não vejo. Rói meu cabelo, espanta meu afago. Cobre-me de espelhos. Esquizofrênica. Seqüestra-me. Encosta-me num canto mudo, com cores inomináveis. Como são plácidos seus gostos, enlevo. Do suor terroso que se espalha, tenho asco. Como o cheiro do seu centro, torpor imediato, Verborragia aristocrática. Intelectual mesquinha Sonâmbula moralista. Calada. Queda-me. Branda-me. Basta. Basta. Bastarda.

merry happy

February 26, 2008

“I can be alone,
I can watch a sunset
on my own”

24/7. Words wandering around the streets, which I don’t see. I’ve stopped having coffees and taking medicines and eating meat. Soon I’ll be writing you every week. Cuz I’m already 23. I haven’t seen the dawn though.

hard day’s night

February 18, 2008

Melt me, have me. Turn on the lights cuz I’m breathing. I want you to stay, will you? It’s cold everywhere but here. It’s silent everywhere but here. You said you would pray for me, will you?

Everyday grows a new tree on the street. And a new drop falls from the sky. I keep my nails red though. It’s safer, you see? Like a Beatles song. Or a saturday morning.

I wandered around the world and I haven’t change. Have I? Like a drifter, I woke up with a start in a strange bed. I wouldn’t find my clothes. I wouldn’t see me in the mirror. I’d got lost. Where were you?