nós

October 18, 2008

Temos 161 amigos em comum. E nada pra dizer um ao outro.

Somos ilha e só.

here and there

October 7, 2008

I’m stuck in a strange time, lost in translation.
We’re getting emotional since we’re in our ancestors land.

Letters, pictures, telephone numbers. All lost.
That’s me on the ground.

zoo

September 13, 2008

Caras de cavalo me olham não percebendo. Carbonizadas em camadas lentas de fuligem e cansaço. Caras pálidas, amarelas, ocas, caiadas. Como carcomidas pela desgraça. Olhos de peixe, de sapo, de presa que não pisca. Rastejam em chãos de pedra e paralelepípedo. Rastejam dos trens, dos ônibus, das calçadas, empurram-se, chocam-se. Não se chocam. Chacoalho, sangro, não se encostam. Castram sonhos diariamente, calam-se. Quero abraçá-las. Caras, corpos, calos. Qualquer coisa que caiba em meu colo. Quero colá-las a árvores, sóis, estrelas. Ser natureza. Uma vida outra.

Sonhos…

lonesome

September 4, 2008

“Todo amor encontra sempre a solidão”

Solido pela vida enquanto não esqueço rancor. Amarga como o mar, fico. Sinto um cansaço de me ir, quero ficar em lençóis, sussurros e versos. Amordemais. Demasiadamente amorteço. Anestesio e sigo esquecendo, sonhos, muros, navios. Esqueço-nos. Estou a me emarenhar em ruídos, rosas.
Resgata-me.

vicodin song

August 28, 2008

“I’m feeling so bad and so good. I don’t know what to do”

Meia-luz, meia cidade que enche a janela da sala e enfeita a noite. Gosto de vinho barato na boca. Gosto de confissões que ficaram trancadas e saem empoeiradas, atropeladas. As pernas que não param no chão e a minha mão que não suporta mais meus dedos de unhas mal feitas.
Percebo que perdi muito de minha vaidade. É outras das coisas que distingo à sombra da lâmpada que você esqueceu de trocar, ao lado da música que parou de tocar. Gosto de silêncio.
Apara meu abraço e fica. Amanhã já é setembro.

“Don’t bring a thing for me. I’ll be there…”

bring it on home

August 19, 2008

Quero de volta todos os sonhos. Quero resgatar as esperanças, retornar minhas crenças, acreditar de novo. Quero tudo de volta como se não tivesse acontecido nunca. Preciso voltar ao útero. Mudar de idéia, criar novos pré-conceitos, fazer renascer vontades. Preciso conhecer o pó antes que ele se torne pedra. Tenho medo de já saber o final antes do clímax. Temo não ser a mocinha do meu filme, não decorar a minha trilha e padecer do incêndio da certeza. Tenho medo de não doer mais.

Quero de volta.

born to be lively

August 10, 2008

Não me seduzem mais as belas obras de arte, expostas em paredes. Decorando tetos, penduradas em retinas, sempre imóveis. Prefiro-as descongeladas, moldando-se ao vento e sobrevivendo ao sol. Vivas. Não gosto do gosto do amargo de uns apáticos, desagrada-me o grave do semblante de outros. Atraem-me os que cantam com cordas soltas, os que sorriem sem economia, que se jogam na vertigem. Amo-os incondicionalmente. Fico à borda, margeando sua bossa. Seguindo sua onda.

“We’re on a positive track today”

renouncement

July 31, 2008

Reconheço e renuncio. Ficamos incompatíveis. Olho, vejo e não enxergo os elos e mesmo os nós que aqui havia. Cheiro seus olhos, limpo sua poesia, guardo seus gestos. Sinto falta de te respirar. Retraio o impulso de te escrever, dedicar sonhos, sussurrar música. Machuca a ausência daqueles dias. Quando completávamos frases, acolhidos em nosso silêncio, em nossa metade. Deixo-te porque você é oceano que cobre mundo e eu sou vento que indeciso, foge. Minto ainda. Renuncio, mas te espero. E rego sempre.

still water

July 21, 2008

Sinto frio. E é quase o tempo todo. Tenho desejo de solidão e quietude. Às vezes acho que tudo é ruído e branco, como um copo cheio transbordando de água e gelo. Estranho meu desejo por calar nuvens, soprar florestas.

Sou uma manhã de céu azul, que nasce catando estrelas. Insisto em cerrar-me  em miolos de flores, seduzindo abelhas para depois me esconder. O zumbido me cansa.

Julgue-me ilha. Protejo-me. E me devoro.

numb

June 8, 2008

Num gesto seco, derramara o todo o conteúdo do copo sobre as folhas recém rascunhadas. Tanto demorara que o líquido se espalhara pela mesa, rastejara pela sua superfície até lentamente atingir o carpete.
Observara o café seguir seu percurso como quem olha paisagem. Imóvel. E fora lentamente que retirara o caderno já tingido de ocre e então as outras filas de papéis e notas pra ontem.
Já não tinha mais importância.